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Timbila e sensualidade da cultura moçambicana

A Timbila é um instrumento de percussão, tocado com baquetas, que consiste numa série de placas de madeira dispostas em escalas sobre cascas secas de massalas, e que funcionam como caixa-de-ressonância.

Um instrumento musical da cultura tradicional moçambicana, o instrumento tem sua fama na comunidade de língua chope, mais concretamente no distrito de Zavala entre outros da província de Inhambane, no sul de Moçambique. A Timbila encontra no centro (Manica, Sofala e Tete) deste País africano, uma outra designação, Valimba, em língua sena.

A timbila (plural de mbila = 1 lâmina de madeira) apresenta a sua particularidade nas massalas (ou "maçalas"), isto é, cabaças de vários tamanhos que funcionam como caixas-de-ressonância e que se encontram por baixo de cada lâmina de madeira. Cada lâmina possui um pequeno orifício pelo qual o som é transmitido até à caixa-de-ressonância (cabaça). Esta encontra-se fixa à lâmina, através de uma mistura de componentes naturais, como cera de abelha, terra e intestino animal. Os materiais com que se constrói a mbila são fundamentais para lhe conferir o timbre típico. A sua construção, uma arte transmitida de pais para filhos, demora perto de três meses e meio. A timbila é tocada com duas baquetas que na ponta possuem um anel de borracha. Para constituir uma orquestra de timbilas, são necessários vários tipos de mbilas que se diferenciam pelo número, tamanho (em comprimento e largura) e pelo tamanho das suas cabaças.

Atualmente, por altura do verão, realiza-se um festival de timbilas, que reúne as melhores orquestras para apresentação e avaliação de novas composições musicais. Cada uma das orquestras pode reunir até vinte músicos e apenas compor uma peça por ano, sempre a partir da anterior, para que assim se mantenham as particularidades musicais de cada orquestra.

O festival de Zavala/de Timbila movimenta todo o País e pessoas fora de Moçambique, é um momento único que ninguém quer perder. Dado a vitalidade passada por esta demonstração, os mais velhos têm ensinado os jovens locais a tocar este instrumento e outros a participar como dançarinos do som da Timbila.

Sua relevância é tanta que já foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em Novembro 2005 como património cultural da Humanidade. Pelo som, pela dança adolescentes jovens expressam sua alegria neste ritmo cultural juntamente com os mais velhos, que aliás, são estes que ensinam àqueles de modo que a cultura não morra, continue, passando de geração em geração.